O ensino da fé cristã na Península Ibérica
(séculos XIV, XV e XVI)

Vergel de consolação da alma ou Viridario

JACOBO DE BENAVENTE. Vergel de consolación del alma o Viridario. Calahorra: Primeira metade do século XIV.

Português

O Vergel de consolação da alma ou Viridario, tradução da obra Viridarium consolationis, atribuída ao monge dominicano Jacobo de Benavente, foi um dos manuais d’auctoritates mais difundidos na Europa medieval e, em particular, na Espanha. Este tratado, dividido em cinco partes, oferecia uma extensa coleção de citações selecionadas de alguns autores clássicos (Aristóteles e Sêneca entre os mais frequentes), assim como de padres da Igreja e escritores contemporâneos. Trata-se de um tratado que transmite o saber dos antiqui e dos moderni, as duas categorias com as quais, na Idade Média, se classificavam os autores. 

O título do tratado é metafórico: recorre à imagem do vergel (símbolo do paraíso e das virtudes). A literatura dogmática da Idade Média costumava representar os vícios e virtudes como uma família ou com a forma de uma árvore. Os vícios e virtudes não estavam isolados, em vez disso, respondiam a uma estrutura arbórea que assegurava sua inter-relação. Os diversos manuscritos hispânicos do tratado de Jacobo de Benavente conservam essa imagem, que já se encontrava na versão latina ao dar o título da obra como Vergel ou Viridario (Viridarium).

Pouco sabemos de seu autor, o italiano Frei Jacobo de Benavente. Além deste tratado, escreveu sermões, cânticos religiosos e tratados dogmáticos. Viridarium foi sua obra mais famosa. No entanto, nos catálogos antigos, a obra também foi atribuída a outros autores, como São Boaventura e São Pedro Pascual.

O Vergel da consolação da alma foi conservado em cinco manuscritos que provêm de lugares diversos da Península. Há, ademais, uma tradução portuguesa no monastério de Alcobaça. Entre finais do século XV e começos do XVI, realizaram-se três impressões: em Sevilha, por Stanislao Polono, em 1497, reimpressa em 1499, e, uma vez mais em Sevilha, por Juan Varela, em 1511.

Como era tão frequente na Idade Média, o texto da versão castelhana sofreu ao longo do tempo importantes modificações. A estrutura da obra, assim como o corpo de sentenças não coincidem em todos os manuscritos. Em alguns de seus códices, o exempla foi adicionado como se fosse um apêndice ou ilustração de algumas sentenças. Assim, o manuscrito do Monastério do Escorial h.III.1 adiciona cerca de sete exempla sob o título “Enxienplos que pertenesçen al Viridario” e um manuscrito do século XVI descoberto recentemente (MS. Real Academia de Espanha, n° 11) intercala entre as sentenças cerca de trinta relatos breves.

Tudo isso atesta uma extensa difusão da obra por toda a Península Ibérica e sua sobrevivência do século XIV ao XVI. Muitas de suas sentenças encontram-se incorporadas em obras de ficção, embora seja difícil dizer que os diversos autores as tenham tomado do texto de Jacobo de Benavente. É muito provável, no entanto, que a obra não tenha sido escrita somente como manual de apoio ao trabalho pastoral dos predicadores. A estrutura da obra e sua divisão em capítulos parecem indicar que também esteve orientada para a leitura. Seus leitores poderiam encontrar nesta obra refrigério para mitigar seus pecados e sentenças edificantes para nutrir sua alma.

Desta forma, o Vergel da consolação da alma é de grande importância para diversos campos da literatura medieval: é um bom representante da literatura dogmática; reflete a difusão das coleções de auctoritates e de autores famosos no âmbito religioso; finalmente, colabora para o conhecimento da difusão e evolução do exemplum piedoso.
Idioma nativo

El Vergel de consolación del alma o Viridario, traducción de la obra Viridarium consolationis, atribuida al monje dominico Jacobo de Benavente, ha sido uno de los manuales d’auctoritates más difundido en la Europa medieval y, en particular en España. Este tratado, dividido en cinco partes, ofrecía una extensa colección de citas seleccionadas de algunos autores clásicos (Aristóteles y Séneca entre los más frecuentes) así como de Padres de la Iglesia y escritores contemporáneos. Se trata de un tratado que transmite el saber de los antiqui y de los moderni, las dos categorías con que en la Edad Media se clasificaba a los autores.

El título del tratado es metafórico: recurre a la imagen del vergel (simbolo del paraíso y de las virtudes). La literatura dogmática de la Edad Media solía representar los vicios y virtudes como una familia o con la forma de un árbol. Los vicios y virtudes no se daban aislados, más bien respondían a una estructura arbórea que aseguraba su interrelación. Los diversos manuscritos hispánicos del tratado de Jacobo de Benavente conservan esta imagen, que se hallaba ya en la versión latina al titular a la obra como Vergel o Viridario (Viridarium).

Poco sabemos de su autor, el italiano Fray Jacobo de Benavente. Además de este tratado escribió sermones, cánticos religiosos y tratados dogmáticos. Su Viridarium fue su obra más famosa. Sin embargo, en los catálogos antiguos ella fue atribuida también a otros autores, como San Buenaventura y San Pedro Pascual.

El Vergel de consolación del alma se ha conservado en cinco manuscritos que provienen de lugares diversos de la Península. Hay, además, una traducción portuguesa en el monasterio de Alcobaça. Entre finales del siglo XV y comienzos del XVI, se realizaron tres impresiones: en Sevilla por Stanislao Polono en 1497 y reimpresa en 1499 y una vez más en Sevilla por Juan Varela, en 1511.

Como era tan frecuente en la Edad Media el texto de la versión castellana sufrió a lo largo del tiempo importantes modificaciones. La estructura de la obra, así como el cuerpo de sentencias no coincide en todos los manuscritos. En algunos de sus códices, se han agregado exempla como si se tratara de un apéndice o ilustración de algunas sentencias. Así, el manuscrito del Monasterio del Escorial h.III.1 agrega unos siete exempla bajo el título «Enxienplos que pertenesçen al Viridario» y un manuscrito del siglo XVI descubierto recientemente (MS. Real Academia de España, n° 11) intercala entre las sentencias unos treinta relatos breves.

Todo esto testifica una extensa difusión de la obra por toda la Península Ibérica y su pervivencia en los siglos XIV a XVI. Muchas de sus sentencias se hallan incorporadas a obras de ficción, aunque es difícil decir que los diversos autores las hayan tomado del texto de Jacobo de Benavente. Es muy probable, sin embargo, que la obra no haya sido escrita sólo como manual de apoyo a la labor pastoral de los predicadores. La estrucutra de la obra y su división en capítulos parecen indicar que también estuvo orientada a la lectura. Sus lectores podrían encontrar en esta obra refrigerio para mitigar sus pecados y sentencias edificantes para nutrir su alma.

De esta forma, el Vergel de consolación del alma cobra importancia para diversos campos de la literatura medieval: es un buen representante de la literatura dogmática; refleja la difusión de colecciones de auctoritates y de autores famosos en el ámbito religioso; finalmente, colabora al conocimiento de la difusión y evolución del exemplum piadoso.

Hugo O. Bizzarri
Université de Fribourg

Edições Modernas

Tractado de viçios e virtudes. An Edition with Introduction and Glossary. Ptomac, Scripta Humanistica, 1993.


Bibliografía

BIZZARRI, Hugo O., “Sobre la autoría del Vergel de consolaçión. Teorias existentes y su interpretación.” Revista Española de Teología, 46, 1986, pp. 215-224.

_______. “Las fuentes manuscritas del Vergel de consolaçión del alma o Viridario.Incipit, 6, 1986, pp. 27-47.

_______. “La tradiciión manuscrita del Vergel de consolaçión y la difusión de los instrumentos de trabajo de los predicadores.” Incipit, 9, 1989, pp. 33-56.

STRONG, E. B. “Iacopo da Benevento and Some Early Castilian Version Attibuted to Jacopo de Benevente of the Viridarium consolarionis.” Romania, 97, 1976, pp. 100-106.

Trecho traduzido e modernizado

Transcrição:

Este livro é chamado Vergel da Consolação da Alma, porque nele está escrito as virtudes que todo homem deve ter em si e os pecados que todo homem bem-aventurado deve fugir e abominar. E pela razão que diz o apóstolo São Pedro: “Todos os profetas e os homens cordatos e os santos que falaram a verdade, todos foram ajudados pela graça de Deus e iluminados pelo Espírito Santo”. E, portanto, convém a nós e a todos aqueles que queiram dizer algo, para que tudo que digamos seja credível e tenha profunda semelhança com a obra daqueles que transmitiram a verdade, nos apoiarmos em seus ditos e colocá-los em testemunho, porque de outra maneira o que disséssemos não teria em si credo nem esforço para se amparar, nem para ser credível se não fosse provado por testemunho dos santos e dos profetas e da santa escritura. E, portanto, para provar o que está escrito neste livro, trabalhei com grande desejo para reunir de muitas partes esta pequena obra em honra e louvor do nome de Deus e em proveito e proteção [...] os e nomeadamente daqueles que cuidam dos outros e também daqueles que hão de predicar a palavra de Deus e devem iluminar aos outros, porque neste livro há muitas provas de autoridades, e de muitas maneiras as quais tomei, aleguei e recolhi de muitos livros dos santos padres e dos profetas e de muitos outros sábios que tiveram modos bem ortodoxos.


Transcripción:

[E]ste libro es llamado vergel de conlaçion del alma, ca en el es escripto de las virtudes que todo omne deue en sy auer e de los pecados que todo omne auenturado deue ffoyr e aborresçer. E por rrazon que segun dize el apostol sant Pedro: ‘Todos los profetas e los omnes cuerdos e los santos que la verdad fallaron todos fueron ayudados de la graçia de Dios e alunbrados del Spiritu Santo’. E, por ende, conviene a nos e a todos los que algo quieren dezir que todo lo que nos dixieremos sea creydo e firme ssemejar por obra a aquellos que verdat dixieron, e ayudarnos de los sus dichos, e traerlos en testimonio, ca en otra manera lo que dixiessemos non abrie en si color nin esfuerço para se anparar nin para ser creydo sy non fuese prouado por testimonio de los santos e de los profetas e de la santa escriptura. E, por ende, para lo que en este libro es escripto probar, trabaje con muy grant dexeo a allegar e a juntar de muchas partes esta obra pequeña a loor e alabança del nonbre de Dios e a prouecho e a guarda [...]os e señalada mente de aquellos que [...]stigar e guardar a los otros e otrosy de los que han de predicar la palabra de Dios e deuen a los otros alunbrar, ca en este libro ay muchas prueuas de abtoridades, muchas prueuas e de muchas maneras las quales tome e allegue e cogi de muchos libros de los padres santos e de los profetas e de otros muchos sabios teniendo manera buen ortolano [...]

Autor do documento: Jacobo de Benavente

Título do documento: Jacobo de Benavente, Vergel de consolación del alma o Viridario

Data de Composição: Primeira metade do século XIV

Lugar de composição ou impressão: Calahorra

Referência: Ms. BNE 9447 - Biblioteca Nacional de España 

http://bdh-rd.bne.es/viewer.vm?id=0000105557&page=1