O ensino da fé cristã na Península Ibérica
(séculos XIV, XV e XVI)

ST1: O “engenho” do artista: modelos e preceptivas do saber artístico dos séculos XV a XVIII

Coordenadores: Sarah Dume (UNICAMP) e Mateus Alves Silva (UNICAMP)

Horário do Simpósio: 20/09 11:00

Na obra “Vocabulario portuguez, e latino ...” de Rafael Bluteau (1728), o conceito “engenho” define-se por “Força natural do entendimento, com a qual o homem percebe prompta, & facilmente o que lhe ensinão, aprende as sciencias, & artes mais difficultosas, inventa, & obra muytas cousas (...)" (BLUTEAU, 1728, p. 117).
Partindo desse conceito amplamente presente nos tratados artísticos do século XV ao XVIII, pretendemos discutir neste simpósio os modelos, valores e preceptivas que nortearam a produção artística (Arquitetura, Pintura, Escultura, Música, entre outras artes) da Península Ibérica e seus domínios entre a Baixa Idade Média e a Primeira Modernidade, buscando compreender de que forma o “engenho” desses artistas construiu-se empiricamente por meio da circulação de saberes que se constituíram como cânones prescritivos de práticas, técnicas e teorias desenvolvidas ao longo dos séculos XV até o XVIII. Desde a prática descritiva por meio de manuscritos e tratados até as múltiplas linguagens artísticas, pretendemos compreender quais caminhos foram percorridos pelos artistas e teóricos portugueses e espanhóis no campo das artes e em que espaços sociais e culturais adquiriram o conhecimento que fundamenta suas obras. Buscamos também compreender de que forma as prescrições do mecenato régio, eclesiástico e privado atuaram sobre o trabalho destes artistas, observando tais profissionais enquanto parte de projetos expansionistas desses grandes reinos católicos e da manutenção das estruturas sociais.